Saíde.
Conheci a Marta e o Saíde num consultório veterinário .Chamou-me a atenção o ar triste do Saíde e meti conversa com a jovem (que vim a saber mais tarde chamar-se Marta).
Contou-me então a pequena grande história do Saíde.
" Um manhã ia eu a conduzir nas próximidades de Linda a Pastora e vejo um cão no meio da estrada a bater com a cabeça na divisória central da via. Será cego? interroguei-me. O transito estava parado e o cão continuava batendo com a cabeça de encontro à divisória. Sem pensar em nada senão naquele desgraçado saltei do carro e dirigi-me para o pobrezinho. agarrei-o
e quando voltava com aquele embrulhinho nos braços para o carro vejo uma camioneta de carga
atravessada na estrada barrando o caminho ao transito. O condutor fez-me um pequeno sinal e percebi que perante a cena ele tinha propositadamente fechado o transito. Agradeci com um sorriso cumplice e entrei no carro. Chegada a casa olhei condoida para os estragos que o cãozinho tinha no corpo, a alma devia estar bem pior. Parecia à primeira vista cego, tinha o corpo cheio de feridas daquelas que ficam depois de queimaduras de cigarro. Enfim o seu estado era lastimável. Levei-o ao veterinário todas as vezes necessárias à sua recuperação. Com amor e cuidados diários curou-se de todos os males de que sofria, inclusivé a vista que recuperou e ele que já não ladrava ,tinha perdido essa faculdade já ladra."
Este foi o relato comovente de uma jovem estudante que não hesitar em ajudar um companheiro quando ele mais precisava. Despedi-me dela e do Saíde com um nó na gargante mas feliz por o acaso me ter proporcionado um encontro tão bonito.